Como a Europa se prepara para evitar um novo lockdown

Em alguns países, o número de infecções está próximo dos níveis de março e abril, auge da pandemia no continente. Autoridades reconhecem que confinamento nacional seria desastroso, mas em certas regiões ele já acontece. Por Deutsche Welle - DW

Barcelona, em abril: cenários de ruas vazias de então pode se repetir. Imagem: DW

“Catastrófico”, “desastroso” e “devastador”: as palavras usadas por líderes europeus para descrever o que significaria a imposição de um segundo confinamento obrigatório são mais do que claras.

A fim de conter o avanço do coronavírus, a movimentação foi restringida em quase toda a Europa a partir de março e abril. Com o verão, a situação foi aliviada em muitos lugares. Mas há semanas, os números de infecção vêm aumentando novamente em quase todos os países europeus.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 40 mil e 50 mil novas infecções são registradas diariamente na Europa. E isso não se deve apenas ao fato de que mais testes estão sendo realizados em todos os lugares.

“Os números de setembro serão um sinal de alerta para todos nós”, disse o diretor europeu da OMS, Hans Kluge. De acordo com a agência de saúde da ONU, os números semanais de infecção excedem atualmente até mesmo os números do primeiro pico, de março.

Restrições regionais

À medida que o número de infecções aumenta, cresce também o temor de novos lockdowns. Na Espanha e na França, em particular, as restrições drásticas na primavera levaram a uma queda econômica histórica – e é precisamente nestes dois países que os números de infectados estão disparando novamente.

A França, porém, quer evitar restrições nacionais o máximo que puder. Em vez disso, as autoridades estão pressionando por medidas mais duras pontualmente nas cidades mais afetadas – Paris, Marselha, Bordeaux, Nice e Toulouse. Ali, foram impostas proibições de aglomeração, horários de fechamento de bares e visitas restritas a lares de idosos. Em Paris e em outras áreas, o uso de máscara é obrigatório.

Em Madri, medidas mais drásticas entraram em vigor nesta segunda-feira (21/09). Em seis distritos da cidade e sete municípios nos arredores, os moradores só serão autorizados a entrar ou sair por assuntos urgentes – como trabalho, visitas médicas e escola. O anúncio foi feito pela chefe do governo regional, Isabel Ayuso. Restrições similares também existem em outras partes do país, como Mallorca.

Na capital espanhola, são afetadas pelas restrições áreas residenciais onde o número de novas infecções é superior a mil por 100 mil habitantes em 14 dias. As cifras, como reconheceu Ayuso, são um “número muito ruim”. Como comparação: na Alemanha, a chamada incidência de sete dias é atualmente de 13.

“Queremos evitar um fechamento completo, seria um passo atrás e um desastre para nossa economia”, disse a governante. “Se todos nós seguirmos as novas regras, nossa região se recuperará rapidamente”.

Alemanha não conta com lockdown

Não apenas no sul e no oeste da Europa as consequências econômicas de um segundo lockdown seriam duras. Também na Alemanha, as associações comerciais estão alertando para possíveis ondas de falências. “Um quinto de todas as empresas já vê sua própria sobrevivência ameaçada pela pandemia”, diz Mario Ohoven, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Alemãs (BVMW). Segundo ele, um novo lockdown significaria o fechamento de muitos firmas.

Embora o número de infecções também esteja aumentando na Alemanha, não se vislumbra um segundo lockdown em todo o país. “Agora, no outono, trata-se de uma coisa: responsabilidade pessoal, responsabilidade pessoal, responsabilidade pessoal”, disse o ministro da Saúde, Jens Spahn, no início de setembro. “E acho que, se conseguirmos isso, não precisarem falar de um lockdown”. Por outro lado, afirmou, os surtos locais devem ser tratados de forma consistente.

O Ministério das Finanças alemão também não espera, aparentemente, um segundo confinamento obrigatório. A minuta do orçamento federal para 2021 planeja assumir cerca de 96 bilhões de euros em novas dívidas para combater a crise. Entretanto, todos os planos se baseiam no pressuposto de que a Alemanha não será forçada a entrar em outro lockdown.

No Reino Unido, uma realidade próxima

A situação no Reino Unido é um pouco diferente. O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, disse à BBC há alguns dias: “Queremos evitar um lockdown nacional, mas estamos preparados para isso”. O Reino Unido é o país mais afetado pelo coronavírus na Europa, com quase 42 mil mortes.

Há dias não só o número de infecções vem aumentando acentuadamente no Reino Unido. O número de pacientes com covid-19 nos hospitais também está crescendo. Há quase uma semana, portanto, restrições de contato muito mais rígidas estão em vigor no país. O foco, por enquanto, como em outros países europeus, está em tentativas de tomar medidas locais para evitar que surtos se espalhem.

Em Birmingham, Glasgow e outras grandes cidades, membros de famílias diferentes não estão mais autorizados a se encontrar dentro de casa e, em alguns casos, nem mesmo ao ar livre.

Os principais pesquisadores britânicos de um grupo de trabalho de emergência recomendaram que o governo estabeleça um toque de recolher e restrição de contato de duas semanas em todo o país durante as férias de outono, em outubro.

“Como as escolas estarão fechadas por uma semana, uma semana adicional terá apenas um impacto limitado na educação”, disse um pesquisador ao Financial Times.

Ninguém na Europa quer um segundo bloqueio como em Israel. Além das medidas locais para combater a pandemia, os políticos estão apelando, acima de tudo, para a disciplina cidadã.

“A nação está enfrentando um momento decisivo e nós temos uma escolha”, disse o ministro da Saúde britânico no domingo. “A escolha é: ou todos nós jogamos pelas regras ou teremos que tomar outras medidas”.

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