Estudo da OMS aponta remdesivir e hidroxicloroquina ineficazes contra covid-19

Realizado em mais de 30 países. Drogas não reduziram mortalidade. Nem mudaram tempo de internação. Por Poder360

Estudo mostra que os medicamentos tiveram pouca ou nenhuma influência na redução da mortalidade da doença ou no tempo de internação dos doentes. Foto: Marco Santos/Agência

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou nesta 5ª feira (15.out.2020) os resultados prévios de 1 estudo global realizado em 405 hospitais de mais de 30 países. A pesquisa mostra que 4 antivirais usados no tratamento contra a covid-19 são ineficazes. São eles:

  • remdesivir;
  • hidroxicloroquina;
  • lopinavir/ritonavir (combinação); e
  • interferon beta-1a.

O estudo “Solidarity Therapeutics Trial” aguarda a aprovação de revistas científicas e revisão por outros especialistas.

Participaram do estudo 11.266 adultos. Desses, 2.750 tomaram remdesivir; 954 tomaram hidroxicloroquina; 1.411 tomaram lopinavir; 651, interferon e lopinavir; 1.412 tomaram apenas interferon; e 4.088 fizeram parte do grupo controle, que não recebeu nenhum dos medicamentos.

As evidências apontam que os medicamentos tiveram pouca ou nenhuma influência na redução da mortalidade da doença. A OMS destaca também que não há evidência de que nenhuma das drogas “reduziu consideravelmente o tempo de recuperação ou o tempo de internação dos doentes“.

Para cada medicamento do estudo, o efeito sobre a mortalidade foi decepcionantemente pouco prometedor“, afirmou a OMS.

Apesar de contar com entusiastas –como o presidente Jair Bolsonaro–, a hidroxicloroquina já tinha sido excluída dos protocolos de tratamento da covid-19 por muitos países. O remdesivir, por outro lado, ainda é visto como 1 medicamento eficaz no combate à doença. A droga se tornou a 1ª a ser autorizada pela União Europeia para tratar a infecção causada pelo coronavírus. O antiviral, utilizado originalmente contra o ebola, foi 1 dos usados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para se tratar.

A Gilead Sciences, fabricante do remdesivir, disse, em nota, que os resultados dos estudos da OMS “parecem inconsistentes com evidências mais robustas de múltiplos estudos controlados publicados em revistas examinadas que validam o benefício clínico” do medicamento.

“Estamos preocupados que os dados deste ensaio global de rótulo aberto não tenham sido submetidos à revisão rigorosa exigida para permitir uma discussão científica construtiva.”

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